Um Tanto do Chá P.3

Posted: 28 de jul de 2011 by leo in Marcadores:
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Another Year


Já assisti diversos filmes onde o tema principal são as consequências do atos ao passar do tempo,como o tempo constrói,como o tempo destrói e como deixamos passar o tempo e não aproveitamos ele bem,mas nunca havia visto o tempo de tratado com tamanha amplitude que o sempre genial Mike Leigh o tratou como em Another Year.O tempo foi contado através das estações do ano,acompanhamos o ano de Tom,Mary,Gerri,Joe e aqueles que os rodeiam,temos diversos exemplos de como administrar e tirar proveito do tempo,como vemos o longo e feliz casamento de Tom e Mary,as eternas frustrações de Gerri e a impressão que temos junto com a personagem de que ela parou no tempo em todos os sentidos (percebemos como ela trata o filho do casal e o modo de se vestir).O roteiro e a direção do filme são assinados por Mike Leigh que nunca decepciona,em outro quesito onde as produções de Leigh não decepciona é na escolha do seu elenco.Em Another Year,temos os sempre competentes Jim Broadbent e Ruth Sheen que a impressão que tenho é que são intermediários para o resto do seu elenco brilhar,mas sem nunca perder a competência absurda,Lesley Manville possui uma das personagens mais tristes do ano e com isso uma das mais poderosas atuações,Manville transparece com facilidade toda a vulnerabilidade e a falta de segurança em questão a sua idade e com um desfecho altamente melancólico.Também destaco a performance explosiva de Martin Savage e a impactante participação de Imelda Staunton e confirma o do porque acho essa mulher uma das melhores atrizes da atualidade.Another Year recomendadíssimo,por ir além do que assistimos,nos faz pensar no óbvio e no inevitável e ainda nos faz questionar o quanto é valioso uma amizade.


Turnê


Mathieu Amalric pela direção de Turnê arrecadou o prêmio de direção no Festival de Cannes em 2010 e merecidamente,Turnê não conta história alguma,somente acompanha uma turnê de dançarinas de teatro burlesco,todos os luxos,privilégios,preconceitos e vazio que essas artistas possuem.A premiada direção não perde o charme e não faz que percamos o interesse na trajetória da turnê,em certos momentos o filme muda de foco,mas ainda assim sem perder seu charme e valor.As cenas do espetáculo e dos preparativos são um arraso por si só,a fotografia lindíssima torna tudo mais belo.As atuações (onde basicamente somente quem faz uma personagem é Amalric) são ótimas,mas destaco aqui Miranda Klosure que usa do tom certo pra sua atuação,Belíssimo filme.


Um Lugar Qualquer


Um Lugar Qualquer,novo de Sofia Coppola é ótimo,esteticamente belíssimo,uma trilha sonora caprichadíssima e uma fotografia extraordinária que aproveita perfeitamente todos os mínimos detalhes de todos os seus cenários,até os mais incapazes de produzir algo interessante (uma pista de patinação de gelo,por exemplo) e Coppola novamente acerta na direção ao deixar as imagens (belas e significativas) falarem muito mais do que qualquer palavra,a dupla de atores protagonista é absurdamente competente,Stephen Dorff faz muito mais do que eu imaginava,mas é brutalmente ofuscada pela simplicidade e o ar de vulnerabilidade constante que Elle Fanning dá a sua personagem,numa das atuações mais bonitas do ano,ou seja,não existe nada de errado com o filme,o que tem de errado é com Sofia Coppola.Sofia Coppola se torna repetitiva,sempre abordando o mesmo tema e com atributos técnicos que os tornam ainda mais chamativos aos olhos,seja gratuitamente,seja pra ofuscar que está novamente tocando no tema solidão,é impossível negar que Sofia Coppola faz um discurso somente com um silêncio,mas tá na hora de se renovar.


Another Year (Idem,2010) 10/10
Turnê (Tournée,2010) 8.5/10
Um Lugar Qualquer (Somewhere,2010) 9/10