


Cinema, Séries e o que der na telha!






Ultimamente,a preguiça é a palavra que comanda minha vida como vocês bem percebem aqui pelo blog,mas irei tentar adotar o esquema da praticidade e postar comentários sobre vários filmes em tiras,então,vamos aos trabalhos
Cópia Fiel
Cópia Fiel é meu tipo de filme favorito,me faz ir longe,refletir e se torna memorável a cada minuto que se passa após o término do filme.O roteiro se trata de um constante exercício de percepção,nos faz questionar se todos aqueles diálogos são reais ou se os personagens estão se apossando de alguma história alheia e mesmo com a resolução do filme,tenho minhas dúvidas.Abbas Kiarostami faz um trabalho maravilhoso na direção,roteiro afiadíssimo e um uso perfeito do cenário deslumbrante.As atuações são impressionantes,William Schimell é contido e sério na medida em que seu personagem necessita e Juliete Binoche tem uma de suas melhores atuações (parece mentira dizer isso),numa performance simbólica e marcante,permanecendo numa linha de mulher forte com fragilidade feminina,uma obra prima.
Reencontrando a Felicidade
Há um bom tempo atrás (provavelmente quando saiu release do filme) um seguidor que tenho no twitter disse que John Cameron Mitchell era admirador de fluídos corporais (pra ser mais específico @_Luiz_s) e eu concordo,a melhor parte de ele ser admirador desses fluídos é que ele os usa de forma inteligentíssima,sem que se torne extremista ou melodramático,é o que acontece em Reencontrando a Felicidade.O melodrama existe,mas isso não quer dizer que seja algo ruim,o melodrama é realmente necessário pra encarar o tipo de situação que Becca e Howie enfrentam.Tudo funciona com coerência no filme,trilha sonora contida e que mostra presença,fotografia tímida mas precisa e um elenco afiadíssimo.Enquanto todos coadjuvantes conseguem se sobressair perfeitamente,destaco Sandra Oh (por sinal,merece muito mais reconhecimento que possui) e Dianne Wiest que sempre ao seu modo consegue ser impactante e persuasiva.E pra todos aqueles que achavam que Nicole Kidman não tinha volta,ela dá tapas na cara com luvas de pelicano,entregando performance que não deixa nada a desejar aos seus tempos de ouro,Aaron Eckhart atua no mesmo nível explosivo e impressionante de Kidman,pena que não teve o reconhecimento merecido,belissimo filme que merece a recomendação.
Além da Vida
Assim que o filme foi lançado vi diversas pessoas o nomeando como o "Nosso Lar" do Clint Eastwood,na minha opinião vai muito mais além,uma viagem emocional tanto para os protagonistas quanto pra quem assiste e se envolve nas histórias dos personagens centro.O que muitos acham algo chato,maçante e longo demais,a cada minuto de filme tudo aquilo se torna crível.Direção impecável do sempre ótimo Clint Eastwood (que desde Menina de Ouro não me agrada tanto),efeitos visuais estritamente bem utilizados e sutis (a não ser quando se trata da cena inicial) e performances perfeitas para o tipo de cada personagem,destaco a pequena e impressionante participação de Bryce Dallas Howard.Além da Vida é um filme que infelizmente ainda precisa ser descoberto,um filme para se sentir.
Cópia Fiel (Abbas Kiarostami,2010) 10/10
Reencontrando a Felicidade (John Cameron Mitchell,2010) 9,5/10
Além da Vida (Clint Eastwood,2010) 10/10

I Am Love conta a história de uma rica família de Milão,onde suas vidas começam a mudar a partir da decisão de Edoardo Sr.,decide nomear o sucessor de sua milionária empresa.Surpreendendo a todos nomeia seu filho Tancredi e seu neto Edo,mas os desejos de Edo é abrir um restaurante com seu amigo Antonio.
Existem filmes onde o hype do público é tão grande que o processo de curiosidade é imediato só pela empolgação do comentário daqueles que conferiram tal produção,quando tão filme alcança suas expectativas a sensação de satisfação com o que viu e a experiência única de presenciar tal pela primeira vez é sempre mais rica,é exatamente isso que aconteceu quando assisti I Am Love (me nego a chamar isso de Um Sonho de Amor,só no título do post mesmo).
I Am Love é o filme mais charmoso que já assisti,tudo que envolva o filme é o que há de mais charmoso,sem parecer forçado,vai da leveza de Walter Fasano,indo pela simplicidade e singularidade da fotografia de Yorick LaSaux,passando até pelos luxuosos e minimalistas figurinos de Antonella Cannarozzi.
O roteiro mescla o clima afeitivo e carinhoso de um ambiente familiar e o desejo reprimido de um amor proibido,diálogos simples e profundos.Assim como o poderoso e delicado roteiro,a direção de Luca Guadagnino não deixa nada a desejar,pode ser considerado o grande ponto positivo do filme,pulso forte,ângulos cuidadosos e intimidade extrema nas cenas cruciais.
O elenco é competente mas todos aparecem como meros coadjuvantes ao se comparar com a genialidade da performance única de Tilda Swinton,minimalista,consegue transmitir todos os sentimentos da personagem sem necessidade de se expressar verbalmente,uma das melhores atuações de uma das melhores atrizes da atualidade,um dos grandes nomes do cinema atual.
Por fim,I Am Love é o amor em forma de cinema,sensibilidade à flor da pele,belo,maravilhoso,apaixonante e qualquer adjetivo clichê que você queira incluir.
Nota:10/10
Um Sonho de Amor (Io Sono l´amore,2009)
Diretor:Luca Guadagnino
Roteiro:Luca Guadagnino,Barbara Alberti,Ivan Cotroneo,Walter Fasano
Elenco:Tilda Swinton,Flavio Parenti,Edoardo Gabriellini,Alba Rohrwacher,Pippo Delbonno,Diane Fleri,Marisa Berenson

Desde os 4 anos,George é gago.Este é um sério problema para um integrante da realeza britânica,que frequentemente precisa fazer discursos.George procurou diversos médicos,mas nenhum deles trouxe resultados eficazes.Quando sua esposa,Elizabeth,o leva até Lionel Logue,um terapeuta de fala e método poucos convencionais.Lionel se coloca de igual pra igual com George e atua também como seu psicólogo,de forma a tornar-se seu amigo.Seus exercícios e métodos fazem com que George adquira autoconfiança para cumprir o maior de seus desafios,assumir a coroa,após a abdicação de seu irmão David.
Todo a temporada de premiação surgem filmes que pode se dizer que aparecem de lugar nenhum e conquistam seus espaços de forma decisiva,no caso de O Discurso do Rei,o lugar tomado foi tão importante que acabou vencendo um (inexplicável) Oscar de Melhor Filme.
O mais interessante de todo o filme é o fato de conhecermos toda a história por trás do discurso que iniciara a 2°Guerra Mundial,o roteiro de David Seidler é formulaico,quadrado,criado para não nos dá permissão ao menos de nos aprofundar no drama que assistimos,é um roteiro correto,sem coragem de correr certos riscos.A fotografia de Danny Cohen é deslumbrante,a trilha sonora de Alexandre Desplat é (pra variar) impecável e o trabalho da edição de Tariq Anwar é maravilhoso,um dos maiores atrativos de todo o filme.
O Oscar 2011 na categoria de direção,estava particularmente incrível,mas como a maioria dos anos,existe o elo fraco da categoria,no caso de 2011 o elo fraco da categoria venceu.Se O Discurso do Rei foi uma experiência frustrante pra você,provavelmente a culpa disso foi de Tom Hooper,exagerando na incompetência,ângulos feios,cortes inexplicáveis enquanto cenas estão perto de atingir o clímax perfeito pro contexto do filme,enfim,Tom Hooper tem um trabalho reconhecido pela competência de uma equipe técnica e o brilhantismo de um trio de atores.
Helena Bonham Carter aposta na leveza da personagem,uma figura adorável em uma firma e breve atuação que mereceu todo o reconhecimento que teve,Geoffrey Rush está extraordinário em cena como o divertido terapeuta e amargurado ator,de uma simpatia ímpar,é fácil se sentir envolvido pelo tamanho carisma da personagem e do ator,particularmente na cena da audição de Lionel,a profundidade no olhar de Geoffrey impressiona,conquista.Interessantemente,Colin Firth atuando Rei George tem algo muito em comum com uma das melhores atuações do ano passado (Carey Mulligan em Educação) personagem chato,mimado e algumas vezes irritante (no caso da personagem de Mulligan,ela era burra mesmo) mas a atuação do ator é tão incrível que todos os defeitos da personagem aparecem como detalhezinhos insignificantes,novamente Firth atinge a perfeição na atuação,personificação impressionante,Firth faz discursos em expressões,genial.
Por fim,O Discurso do Rei é um bom passatempo,a falta de profundidade do roteiro e a incompetência do diretor quase estragam por completo um projeto salvo pelo gongo por uma ótima equipe técnica e um elenco em perfeita sintonia.
Nota:8/10
Sinopse Retirada do Site Adoro Cinema
O Discurso do Rei (The King´s Speech,2010)
Diretor:Tom Hooper
Roteiro:David Seidler
Elenco:Colin Firth,Geoffrey Rush,Helena Bonham Carter,Guy Pearce,Jennifer Ehle,Michael Gambon,Derek Jacobi,Timothy Spall,Anthony Andrews,Roger Parrott,Claire Bloom,Eve Best