
Em Maio de 2003,Aron Ralston fazia uma escalada nas montanhas de Utah,Estados Unidos,quando acabou ficando com seu braço preso em uma fenda.Sua luta pela sobrevivência que durou 5 dias (127 Horas óbvio) foi marcada por memórias e momentos de tensão,relatados em um livro.
127 Horas é um filme que nasceu com um fardo:Ser o sucessor do bem sucedido (e divisor de opiniões) Quem Quer Ser um Milionário ?,e assim que anunciado foi criada a pergunta,será que Danny Boyle irá decepcionar novamente ?
Como já disse,127 Horas é um filme sobre as infernais e intermináveis horas que Aron passou preso a fenda,onde é sujeito a pouco sol,poeira e tempestades,Danny Boyle faz bem em nos familiarizar com o inferno vivido pela personagem.
O roteiro assinado por Boyle e Simon Beaufoy (a mesma dupla de Quem quer ser um Milionário?),tem pontos positivíssimos como o diálogo ótimo e muitíssimo particular do "Talk Show do Aron Ralston" e momentos de extrema vergonha alheia,como o pedantíssimo "O que faço pra entrar aí ... no seu coração",mas fora os diálogos o roteiro acompanha a direção,não impressiona,mas também não é tão ruim ao ponto de incomodar em certos aspectos.
Tecnicamente,127 Horas é bastante eficiente,a trilha sonora de A.R Rahman é incrível,acompanhando perfeitamente os momentos de tensão extrema,a Direção de Fotografia de Enrique Chediak e Anthony Dod Mantle é belíssima e a edição de Jon Harris é bastante eficiente e acelerada,mas justamente nisso que está um grande pecado do filme,no último ato o filme se torna um tanto cansativo com tamanha freneticidade.
Como o disse,127 Horas tem lá seus pecados de ritmo e roteiro,mas quando se tem James Franco em sua melhor forma,qualquer erro se torna algo minúsculo e ridículo,Franco está irretocável,extraordinário e consegue transmitir todas as frustrações da vida de Aron sem momento algum parecer forçado.O auge de James Franco é justo na genial e já citada cena do "Talk Show do Aron Ralston",impressionante a capacidade de cativar mesmo numa situação tão incômoda.
Por fim 127 Horas é um filme que não passa do muito bom,inicia de forma ideal e derrapa perto do fim,mas é algo que se torna perdoável quando se tem a presença de um espetacular James Franco,recomendadíssimo.
Nota:8.5/10
Sinopse Retirada do Site Adoro Cinema
127 Horas (127 Hours,2010)
Diretor:Danny Boyle
Roteiro:Danny Boyle,Simon Beaufoy
Elenco:James Franco,Kate Mara,Amber Tamblyn,Sean Bott,Treat Williams,Kate Burton,Clemence Poésy,Lizzy Caplan

Em uma noite de outono de 2003,Mark Zuckerberg,analista de sistema graduado em Harvard,se senta em seu computador e começa a trabalhar em uma nova e boa idéia.Apenas seis anos e 500 milhões de amigos mais tarde,Zuckerberg se torna o mais jovem bilionário da história com o sucesso de sua rede social Facebook.O sucesso,no entanto,leva a complicações em sua vida pessoal e profissional.
Acho inválido eu comentar o processo de interesse pelo filme e ainda envolvia diretor e roteirista extremamente competentes,era simplesmente impossível não ficar curioso,ainda mais com uma temática tão atual e que interessa a todos nós que vivemos na geração onde os maiores laços são criados cibernéticamente infelizmente.
O roteiro assinado pelo genial Aaron Sorkin é incrível,meticuloso e com diálogos ao mesmo tempo ácidos e arrebatadores,a direção de David Fincher é uma grande incógnita,quando conferi o filme pela primeira vez achei sua direção um pouco distante e bastante fria,mas após uma revisão,pode ser que toda a frieza tenha sido usada pra favorecer todo um clima criado pelo roteiro de frieza e vazio que acompanha a trajetória de Zuckerberg até o sucesso,se essa era sua real intenção,passou muitíssimo bem sua mensagem.
Tecnicamente,o filme é extremamente competente,sua edição de Kirk Baxter e Angus Wall é espetacular e acompanha a rapidez de raciocínio de Zuckerberg,a trilha sonora de Trent Raznor e Atticus Ross é impressionante,atual e intrigante,seguindo todo o clima de tensão e ambição que paira sobre a trama.
As performances do filme são meio termo,Jesse Eisenberg acerta em cheio na complexidade do personagem e faz de tudo para o personagem parecer antipático,mas nunca como o vilão,nos fazendo compreender o que motiva sua decisão,Armie Hammer é somente ok,não impressiona,mas também consegue segurar o fardo de fazer personagens gêmeos,Justin Timberlake como ator é um cantor incrível (que aliás tá na hora de voltar),Rooney Mara faz aquilo que acho o mais incrível em atores,quando em somente uma cena consegue transmitir todos os sentimentos de seus personagems (coisa que já vi Penélope Cruz,Ralph Fiennes,Robert Duvall,Ruby Dee,Beatrice Straight,Patricia Clarkson fazendo muito bem) e Andrew Garfield está impecável como o compreensível Eduardo Saverin,e extraordinário em sua cena final.
Por fim A Rede Social é um ótimo filme,onde é realmente complicado achar defeitos,mas que não me completou por completo,mesmo que essa tenha sido sua impressão.
Nota:9/10
Sinopse retirada do Site Adoro Cinema
A Rede Social (The Social Network,2010)
Diretor:David Fincher
Roteiro:Aaron Sorkin
Elenco:Jesse Eisenberg,Andrew Garfield,Justin Timberlake,Rooney Mara,Armie Hammer,Rashida Jones,Brenda Song,Max Minghella

Um casal vive feliz com os seus quatro filhos,até que a morte do pai deixa a família devastada.Cada um deles busca sobreviver ao seu modo,Simone de apenas 8 anos,se recusa a ficar de luto e prefere subir regularmente na figueira do jardim.Ela fica horas no local,sentindo a presença do pai na árvore.Dawn,sua mãe acompanha a afeição crescente da filha pela árvora,ao mesmo tempo aos poucos,retorna sua vida normal.
O filme se trata da tentativa de Dawn se reerguer após a morte de Peter e inicialmente o roteiro trata essa questão de forma nítida e sem muitos nuances e sem correr riscos de grandes erros,mas nunca saindo da zona de conforto,sempre correto,sem desfocar do assunto e não caindo em armadilhas de focar veemente no luto de Dawn e se confundir na própria narrativa,mas no meado do filme certos pontos se tornam um pouco incômodos,como o comportamento irritante de Simone e o fluir forçado da relação de Dawn e George,e o que dizer da árvore extremamente temperamental,momento absurdo e bastante risível,mas que pra felicidade não incômoda no decorrer do filme.
Assim como o roteiro,a direção de Julie Bertucceli é simples e não tomar partido pra tomar grandes riscos,mas Bertucceli se sobressai nos momentos finais do filme,principalmente,o momento em que O´Neill se depara com o estrago do furacão.Tecnicamente,a trilha sonora é clichê e grudenta em boa parte e a simplicidade da fotografia de Nigel Bluck é gratificante.
As atuações de Charlotte Gainsbourg e Morgana Davies são boas,mas funcionam muito melhor juntas,a naturalidade e a cumplicidade quando estão juntas é belíssima.
Por fim,o filme tem um início bastante sólido,um meado muitíssimo irregular e um bom e maduro desfecho,um pouco parado,mas nada que atrapalhe muito o bom andamento da trama,recomendo.
Nota:8/10
Sinopse Retirada do Site Adoro Cinema
A Árvore (The Tree,2010)
Diretor:Julie Bertucceli
Roteiro:Julie Bertucceli,Elizabeth J.Mars
Elenco:Charlotte Gainsbourg,Morgana Davies,Marton Csokas,Christian Byers,Tom Russell,Gabriel Gotting,Aden Young

Sosa é um "urubu",um advogado especializado em acidentes rodoviários.Todos os dias ele vai aos locais de acidente,aos setores de emergência dos hospitais e às delegacias procurando clientes.Seu trabalho é lidar com as testemunhas,policiais,juízes e companhias de seguro.Mas o que seus clientes não sabem é que a agência para a qual trabalha está envolvida em esquemas de corrupção e desvio de dinheiro.Quando se apaixona pela jovem paramédica Luján,Sosa decide se aposentar do trabalho sujo e viver ao lado dela.
Em tempos de fim de ano,a Sociedade Brasileira de Blogueiros Cinéfilos envia as cédulas de votação para o Blog de Ouro no presente ano e senti que faltava certas produções bastante elogiadas pra votar nas categorias com um pouco mais de conhecimento e variedade e Abutres foi um filme que entrou nessa pequena lista de escolha e me surpreendi muitíssimo.
O roteiro e a direção de Abutres é assinada por Pablo Trapero e provavelmente por esse motivo,o projeto foi conduzido com tamanha autenticidade,o filme parte de uma premissa simples e se torna algo extremamente grandioso,confesso que todo o processo de mudança,no meio do caminho havia passagens um tanto cansativas,mas de fato,nada que atrapalhasse a boa desenvoltura da trama.A direção segura de Trapero nos mostra uma tensão impressionante,sem momento algum parecer forçada e o que dizer da extraordinária (e previsível,sim confesso) sequência final,na tal sequência,nos prova como é competente e merece um reconhecimento que não tem.
Em termos de atuação o filme é praticamente todo conduzido pela dupla de protagonistas,Ricardo Darín como sempre faz bonito,muito bonito,já se tornou clichê,mas é sempre válido elogiar sua espetacular naturalidade ao encarar qualquer tipo de personagem,intenso quando necessário e sereno quando necessário,mas sem nunca perder a verdade da atuação.Já Martina Gúsman está ótima em cena,é fácil a percepção de infelicidade sobre sua atual situação e o cansaço de sua profissão.Algo que poderia se tornar negativo pro decorrer do filme é a necessidade de ter os protagonistas como casal e sem momento algum parecer forçado,o amor entre eles flui e o próprio amor entre eles se torna um personagem em paralelo no filme.
Por fim Abutres é um filme simples e ao mesmo tempo grandioso,com um pessimismo final parecido com o de O Escritor Fantasma e de um realismo impressionante,existe alguns problemas no roteiro que deixa certos assuntos subentendidos,mas se torna algo inútil quando se compara com a maestria de todo o resto,recomendadíssimo.
Nota:10/10
Sinopse Retirada do Site Adoro Cinema
Abutres (Carancho,2010)
Direção:Pablo Trapero
Roteiro:Alejandro Fadel,Martín Mauregui,Santiago Mítre,Pablo Trapero
Elenco:Ricardo Darín,Martina Gúsman

Elizabeth é uma advogada inteligente e bem-sucedida que através de seus charme que ela inicia um romance com o chefe.Karen é uma profissional da saúde,muito sensível e amável,mas que esconde este seu jeito humano e vive amargurada.Isso porque ela engravidou aos 14 anos,entregou a filha para adoção à quase 40 anos e não supera a dor por ter tomado esta decisão.Lucy é uma mulher casada que não consegue engravidar e resolve recorrer à adoção para ter a família que tanto deseja.
Destinos Ligados é um filme que até certo ponto eu não havia ouço falar,mas foi quando o twitter resolveu elogiá-lo em massa,e foi daí que veio a minha curiosidade.
Dramas famliares é o gênero que mais está sujeito a cair no clichê,no cansativo e é sempre necessária doses equilibradas de densidade e sensibilidade para que não se torne algo cansativo.A narrativa interligada do filme é o típico filme que mais existe armadilhas de roteiro.
Felizmente,a maioria dessas armadilhas e safadezas desses tipos,o filme não sofre tanto e consegue se sobressair e solucionar todas as tramas com sobriedade e coerência,nada se torna forçado,o roteiro flui com naturalidade,não inova,nem ao menos prejudica,única ressalva que faço é a inclusão de personagens desnecessários,mas é algo que não se prolonga.
O trio de atrizes é nada menos que maravilhoso,Kerry Washington está muito bem na personagem de emoções intensas e histeria na medida certa,Naomi Wattsz tem a personagem mais complexa e complicada do filme e tem um desempenho muito subestimado,impressionante a facilidade de expressar as emoções sem precisar de falar,mas em todo o elenco quem se sobressai é Annette Benning que faz a passagem de amargurada mãe arrependida para uma mulher simplesmente esperançosa.
Por fim Destinos Ligados é um filme sobre a força que a relação mãe e filha e todos os seus obstáculos,mesmo que esse obstáculo tenham sido criado pelos próprios envolvidos,belo,simples e feminista até o último segundo.
Nota:8.5/10
Sinopse Retirada do Blog Pipoca Cine
Destinos Ligados (Mother and Child,2009)
Diretor:Rodrigo Garcia
Roteiro:Rodrigo Garcia
Elenco:Annette Benning,Naomi Wattsz,Kerry Washington,Samuel L.Jackson,Jimmy Smits,David Ramsey,Cherry Jones,Sharon Epatha Merckerson,Shareeka Epps,David Morse,Tatyana Ali,Amy Brennemann,Brittany Robertson
